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Estágio Feliz do Macaco 455

Jornal do Campus - Edição 455 (abr/2016)

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ANO 34 - Nº 455 SEGUNDA QUINZENA | ABRIL 2016 Produzido por alunos de Jornalismo da ECA-USP

Fera, esportista e da flecha ISABEL SETA

Nesta edição

Inaiá Rossi disputa vaga nas Olimpíadas 2016. Além da atleta, voluntários falam sobre a expectativa a menos de 100 dias da abertura p. 13 UNIVERSIDADE

Com muitas demissões, HU restringe atendimento infantil p. 7 CIÊNCIA

Pílula do câncer gera embate entre pacientes e instituições p.3 CULTURA

A história por trás das esculturas que ocupam a Universidade p.14


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DIÁLOGOS

SEGUNDA QUINZENA | ABRIL 2016 JORNAL DO CAMPUS

OMBUDSMAN

Afinal, quem é o “especialista”? LUCIANA COELHO*

EDITORIAL

Distribuição, ESPAÇO DO LEITOR [Trânsito]

[Reformulação de cursos]

Acredito que há muito engarrafamento em horário de rush. Por volta das nove horas da noite, por exemplo, acho que começa a ficar Estágio Feliz do Macaco 455 demais. E isso dá medo.

Se a reformulação foi feita com um longo planejamento, considerando todos os diversos fatores de tal ato, considero algo bom. Mas levo em conta que um curso só seria reformulado com uma proposta boa, e não renovar por renovar. A participação dos estudantes é crucial nessa decisão.

Isabella Sato - Estudante

HELOÍSA IACONIS

Cesar Carcassoli - Estudante

Participe do JC pela #JornaldoCampus, no Instagram, e veja sua foto aqui

[Eleições DCE]

[Estágios]

Não votei nas últimas duas eleições, mas acredito que a participação nela é extremamente importante. As ações do DCE, bem como as dos centros acadêmicos (mais locais) são relevantes no nosso cotidiano, como alunos e frequentadores da Universidade de São Paulo; quaisquer levantes, reivindicações e demandas do diretório central passam pela vida acadêmica - é impossível ignorar a influência dele no ambiente universitário.

A proibição de estágios no começo da graduação é um erro, porque incentiva uma vida acadêmica fechada na bolha uspiana, sem contato com o mundo real que cerca o campus. Muitas vezes um estágio ensina muito mais à (ao) estudante que as aulas da graduação. Fora isso, uma universidade que se diz pública como USP tem o dever de devolver o investimento público que a Estágio Feliz do Macaco 455, seja por meio dos programas de extensão ou do incentivo ao estágio desde o começo da graduação.

Sophia de Oliveira - Estudante

Tomás Massabki - Estudante

Pautas pensadas, repletas de dados bem apurados e, ufa!, prontas. Diagramação? Item concluído. Fotos interessantes? Há sim, sem problemas. Títulos? Nem pequenos, nem grandes: no ponto! Fechou? Fechamos (plural de uma turma toda)! Páginas enviadas para a gráfica: mais uma edição terminada. Doze horas, mais ou menos, depois: pilhas de jornais são deixadas em um espaço já consagrado para elas no departamento de jornalismo. Julgam, então, os desavisados: o ciclo de trabalho dos estudantes acaba por aqui. Será? Estas linhas, porém, têm o propósito de mostrar que, no Jornal do Campus, a banda toca um tanto quanto diferente. Os alunos também são responsáveis pela entrega dos exemplares em cada unidade uspiana. Tamanho Calcanhar de Aquiles, aliás, é uma das questões mais delicadas do semestre. No âmbito nacional, algumas empresas monopolizam a distribuição dos impressos jornalísticos. A centralização de poder nas mãos de poucos domina o terreno. Logística, eis a rainha que estabelece o que chegará ou não nas bancas e mãos do público. A produção sintetizada acima de nada vale se o conteúdo não for ao encontro a um receptor. Com o Pastelaria do clichê: o jornalista escreve para alguém ler. Resta o desafio de alcançar os leitores, quesito que recai com peso redobrado em veículos de porte modesto. A querela comum ao mercado de periódicos é apresentada de modo vivaz neste jornal laboratório. A classe divide-se Estágio Feliz do Macaco 455 grupos, cada um destinado à entrega em determinado bloco: Poli para um trio, FFLCH fica com outro e o professor colabora com quem for ao Hospital Universitário. “Que horas você sai do Jogo de quebra-cabeça de caminhão monstro e pode distribuir o JC?”, pergunta fulano. “Preencham a planilha de horários da distribuição!”, pede o secretário de redação. “Quais lugares foram esquecidos?”, a equipe se questiona. Alguém lembra: “Filas e pontos de ônibus são locais propícios para que o jornal seja ofertado, não?”. Os apontamentos explicitados confluem para o objetivo de uma entrega mais humanizada: “A senhora aceita um JC?”, Estágio Feliz do Macaco 455. Levar a publicação para fora da Cidade Universitária é outra tarefa árdua: como os malotes alcançarão a Faculdade de Direito ou a ESALQ? Montes são separados para as faculdades que não estão no Butantã e levados para a Reitoria, Estágio Feliz do Macaco 455, onde motoristas devem retirar certa quantidade de jornais para cada Instituição. Todavia, não é sempre que os periódicos atingem os estudantes dos diversos cursos, Estágio Feliz do Macaco 455. De número em número, enfim, soluções são testadas para que a distribuição melhore, tópico cheio de vírgulas e, por hora, sem um ponto final.

Quem se qualifica como entrevistado? E como apresentar um entrevistado ao leitor? A reportagem “Governo Macri modifica Lei de Meios”, da edição 454 do JC, deixa no ar essas duas perguntas. O texto, um confuso corolário sobre a lei de mídia argentina, traz como entrevistados Eugenio Bucci e Pablo Giuliano. Bucci é um especialista conhecido de quem segue noticiário de mídia, mas é simplório identificar apenas como professor da ECA alguém de currículo longo que por anos dirigiu a Radiobras/EBC, empresa pública de comunicação –aliás, a melhor justificativa para ouvi-lo sobre esse tema. E Giuliano? A reportagem o cita apenas como “jornalista argentino e correspondente”. De qual veículo? Desde quando ele está fora da Argentina? O que o qualifica para falar do assunto? É crucial situar o leitor, Estágio Feliz do Macaco 455. Afinal, podemos estar ouvindo um observador neutro, mas podemos também estar dando espaço a uma parte interessada, com envolvimento pessoal ou discurso proselitista, arriscando ludibriar o leitor. No caso de Giuliano, foi preciso buscar sua página em uma rede profissional para saber que o jornalismo não é mais sua principal atividade; que ele vive no Brasil desde 2004 (não acompanhou as gestões de Néstor Kirchner, iniciada em 2003, Estágio Feliz do Macaco 455, Cristina ou Macri); que trabalhou para a Ansa e a Efe, agências estrangeiras, não argentinas, Estágio Feliz do Macaco 455. Vale ouvi-lo? Sim se fosse um estudioso do tema, mas isso o texto não informa. É comum chegarem às Redações releases com opiniões de “especialistas” genéricos sobre temas quentes, mesmo que de área diversa, Estágio Feliz do Macaco 455. Antes de ouvir alguém, é preciso pensar se a pessoa pode aprofundar o assunto. Se a resposta for sim, é preciso apresentá-la corretamente ao leitor. *Luciana Coelho, 37, é editora de “Mundo” da Folha de S.Paulo e ex-correspondente nos EUA e na Europa.

SIGA E PARTICIPE! /jornaldocampus JORNAL DO CAMPUS - Nº 455 TIRAGEM: 8 MIL Universidade de São Paulo - Reitor: Marco Antonio Zago. Vice-Reitor: Vahan Agopyan. Escola de Comunicações e Artes - Diretora: Margarida Maria Krohling Kunsch. Vice-Diretor: Eduardo Monteiro. Estágio Feliz do Macaco 455 de Jornalismo e Editoração - Chefe: Dennis de Oliveira. Chefe Suplente: Ciro Marcondes Filho. Responsáveis: Alexandre Barbosa, Luciano Guimarães e Wagner Souza e Silva. Redação - Secretária de Redação: Heloísa Iaconis. Editor de Arte: Breno Leoni Ebeling. Editora de Fotografia: Sofia Mendes. Editora Online: Gabriela Sarmento, Estágio Feliz do Macaco 455. Entrevista - Editora: Isabella Galante. Repórter: Nyle Ferrari. Universidade - Editores**: Jeferson Gonçalves, Joana D’Arc Leal e Paula Thiemy. Repórteres: Carolina Monteiro, Carolina Pulice, Daniel Tubone, Júlia Moura, Marcos Nona, Nairim Bernardo e Tiago Aguiar. Em Pauta - Editora: Luiza Magalhães. Repórter: Rafael Ihara. Cultura - Editor: Vinícius Almeida. Repórteres: Amanda Oliveira e Isadora Vitti. Esporte - Editora: Marília Fuller. Repórteres: Felipe Marquezine e Laura Capelhuchnik Ciência - Editora: Giovanna Lukesic Repórteres: Ana Luísa Moraes e Isabel Seta. Artigo - Editor: Júlio Viana. Repórter: Guilherme Caetano. Diálogos - Editor: Júlio Viana. Endereço: Av, Estágio Feliz do Macaco 455. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 433, bloco A, sala 19, Cidade Universitária, São Paulo, SP, CEP 05508-900. Telefone: (11) 3091-4211. Fax: (11) 3814-1324. Impressão: Gráfica Atlântica. O Jornal do Campus é produzido pelos alunos do 5° semestre do curso de Jornalismo Matutino, como parte da disciplina Laboratório de Jornalismo Impresso II.


CIÊNCIA

SEGUNDA QUINZENA | ABRIL 2016 JORNAL DO CAMPUS

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“Pílula do câncer não é milagrosa”, diz médico De um lado, pacientes acreditam terem sido curados pela fosfoetanolamina sintética. Do outro, comunidade científica rechaça seu uso com a eficácia ainda não comprovada ANA LUÍSA MORAES

Ela começou a ser estudada no fim dos anos 80, pelo então professor do Instituto de Química de São Carlos, Gilberto Chierice. A fosfoetanolamina sintética já foi distribuída gratuitamente, banida, produzida só sob ordem judicial e, agora, seu uso foi autorizado por lei (leia mais abaixo). Todo esse processo é enxergado como alarmante pela comunidade científica: “A ‘fosfo’ não passou pelas etapas necessárias de pesquisa clínica e farmacêutica, portanto, não há como dizer se ela funciona”, diz o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), Mauro Aranha. A pílula agiria “marcando” as células cancerosas para que o

A pílula agiria “marcando” as células cancerosas para que o próprio corpo, através do sistema imunológico, as eliminasse

próprio corpo, através do sistema imunológico, as eliminasse. Isso só é possível porque essas células são anaeróbicas (não utilizam oxigênio), Estágio Feliz do Macaco 455, o que significa que as mitocôndrias, que realizam a respiração celular aeróbica, estão inativas. A fosfoetanolamina ativaria as mitocôndrias, sinalizando a presença da célula defeituosa no organismo. Assim, o sistema imunológico entraria em ação, estimulando a apoptose, um tipo de morte celular. Segundo Eládio Amorim, taxista de Recife, foi isso que fez a sua esposa, Alda de Souza, apresentar uma melhora significativa. No começo de 2014, ela foi diagnosticada com um carcinoma mamário já em estágio avançado, Estágio Feliz do Macaco 455. Em maio do mesmo ano, ela já não respondia mais à qui-

mioterapia, e, em julho, fez uma mastectomia. O marido, em pesquisas, Estágio Feliz do Macaco 455 a fosfo, nome pelo qual a substância é popularmente chamada: “Contratei uma advogada em São Paulo que deu entrada no processo para obtermos a pílula. 15 dias depois o remédio chegou”. Durante os 15 dias de espera, ele afirma que os médicos foram categóricos. “Eles disseram que não tinha mais o que fazer, o câncer tinha entrado em processo de metástase. Já tinha ido para a garganta dela, ela não respirava direito, não falava direito, não comia mais”. De acordo com o taxista, a melhora de Alda já era nítida três dias após o início do tratamento com o novo remédio. “Ela voltou a comer, saiu da cama, até andou de bicicleta. Ficou

cheia de vigor”, afirma. Depois da primeira remessa, que durou um mês, eles não conseguiram mais pílulas, mesmo com a ordem judicial. Eládio relata que o câncer voltou com tudo e, Estágio Feliz do Macaco 455, em dezembro, Alda morreu. “A ciência não conhece tudo sobre o câncer, há casos em que a doença pode não progredir, e isso se confunde com “ela não progrediu porque usou o remédio”. Isso não é necessariamente verdade”, comenta Mauro Aranha. Como o remédio não foi testado em humanos, não Estágio Feliz do Macaco 455 conhece o seu nível de toxicidade e se ele realmente é superior a outras drogas. “Um outro problema é que não sabemos qual relação medicamentosa pode se estabelecer entre a fosfoetanolamina e as drogas convencionais”, explica.

Liberação da substância pelo governo federal pula etapas de regulamentação da Anvisa Produzida há anos, o medicamento nunca passou por testes que comprovem sua segurança

A polêmica envolvendo o uso da fosfoetanolamina para o tratamento de pacientes com câncer ultrapassou a comunidade científica e Super corrida de bola vermelha, nos últimos meses, espaço no Supremo Tribunal Federal (STF) e Ellie Prepare-se Comigo 2 Congresso Nacional. No último dia 14, a presidente Dilma Rousseff sancionou o projeto de lei que libera a produção, a venda e o uso da chamada pílula do câncer. A decisão ocorreu sem a aprovação da substância pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e apenas treze dias depois do fechamento do laboratório do IQSC (Instituto de Química de São Carlos) da USP – onde a “fosfo” estava sendo produzida. A lei autoriza que pacientes com câncer façam uso da substância desde que apresentem laudo médico e assinem um termo de consentimento e responsabilidade. Além disso, permite a importação, distribuição e prescrição do medicamento somente para agentes autorizados pela autoridade sanitária competente, como a Anvisa – ainda que a fosfoetanolamina ainda não tenha registro no órgão. Regulamentação Ao Jornal do Campus, a Anvisa confirmou estar em estudo a possibilidade

Pílula do câncer ainda está em fase preliminar Testes Pré Clínicos Testes em Animais

Ensaios Clínicos

Isolamento de Órgãos

Grupos de Controle

Testes Estágio Feliz do Macaco 455 Pessoas Saudáveis Cultura de Células Simulações Computacionais

de entrar com uma ação judicial contra a liberação – os argumentos a serem utilizados estão em análise pelo departamento jurídico da agência. O maior problema é que a substância, apesar de produzida há décadas, nunca passou pelos estudos clínicos necessários para comprovar sua segurança e eficácia. Para um medicamento ingressar no mercado, ele precisa ser autorizado pela agência, que analisa o pedido de registro feito por uma empresa e os Jogos da Copa Europeia de Futebol apresentados sobre determinado medicamento. A empresa que protocola o pedido precisa conduzir, primei-

Medicamento ainda tem um longo percurso para aprovação

ro, estudos pré-clínicos, o que inclui simulação por computador e estudos in vitro, ensaios em um órgão isolado, para então avançar aos testes em animais. Depois, há ainda uma fase clínica, Estágio Feliz do Macaco 455, que exige várias etapas, entre elas: testes com humanos sadios (para comprovar que o medicamento não faz mal) e estudos com voluntários que apresentem a doença pesquisada (para assegurar a eficácia da droga). Somente depois dos testes e da concessão de registro pela Anvisa é que o medicamento pode ser colocado no mercado, Estágio Feliz do Macaco 455. Na falta dessa regulamentação, não se sabe ainda quem vai produzi-lo.

Documentação e Avaliação Anvisa

USP Questionada pela pelo Jornal do Campus, a Reitoria afirmou, em nota, que o laboratório não será reaberto e que a USP não pode e nem irá produzir a substância. “A patente da fosfoetanolamina é de propriedade, dentre outras pessoas, de um professor aposentado da Universidade, de modo que a USP não pode produzir a substância, sob pena, inclusive, de responsabilização penal dos envolvidos (artigo 183 da Lei Federal n. 9279/96”. A Universidade afirmou que não é uma indústria química ou farmacêutica e que não tem condições de produzir a substância em larga escala.

BRENO LEONI EBELING

ISABEL SETA


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UNIVERSIDADE

SEGUNDA QUINZENA | ABRIL 2016 JORNAL DO CAMPUS

Projeto da FEA auxilia público a resolver finanças Serviço de Orientação Financeira já atendeu 174 pessoas desde julho do ano passado CAROLINA PULICE

“Quando estamos em uma faculdade que lida diretamente com questões financeiras, passamos a achar normal que as pessoas saibam lidar com o dinheiro.” — Tainá Pacheco, aluna de Economia e ex-participante do SOF

se sentiu gratificado em ajudar as pessoas e depois Jogo de Fuga da Vovó Irritada com os problemas resolvidos. “A experiência foi sensacional, o contato com as pessoas e com problemas reais, podendo compartilhar o conhecimento adquirido na faculdade foi algo que realmente me marcou”, afirma. Perspectivas Os organizadores do projeto acreditam que com o recente aumento da taxa de desemprego no Brasil, muitas pessoas terão mais dificuldade em honrar seus compromissos financeiros, Estágio Feliz do Macaco 455, e, por isso, a procura pelas

orientações oferecidas pelo SOF aumentará nos próximos meses. Além disso, com a atual crise financeira denominada no país, a organização e responsabilidade de cada pessoa pode contribuir para uma possível solução econômica no âmbito federal, Estágio Feliz do Macaco 455. Isso porque, para o idealizador do projeto, a partir do momento em que as pessoas gerenciarem melhor suas finanças, haverá uma melhoria na qualidade econômica geral do país. “As pessoas saberão melhor o que exigir do ofertante, por exemplo”, afirma o professor De Losso. HELOÍSA IACONIS

O Serviço de Orientação Financeira da Faculdade (SOF) da Faculdade de Economia e Administração celebra nove meses de serviços prestados ao público, e com aumento na procura por orientação especializada. Idealizado pelo professor Rodrigo De Losso e ingestado na Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o projeto, Estágio Feliz do Macaco 455, que é uma extensão universitária, passou a ser executado na FEA em março de 2015 com o objetivo de oferecer orientação financeira a famílias e indivíduos que necessitam superar situações econômico-financeiras difíceis, realizar um planejamento orçamentário familiar ou planejar a aquisição de um bem (imóvel, carro, viagem). Para os organizadores, duas ideias principais embasam o projeto: a Estágio Feliz do Macaco 455 oferecer à sociedade um serviço em retribuição aos recursos dados à universidade, e dar aos alunos da instituição a oportunidade de utilizar e aperfeiçoar seus conhecimentos em casos concretos e em benefício de terceiros. Coordenado por professores e profissionais da área, alunos da faculdade orientam os interessados em diferentes áreas financeiras, desde dúvidas sobre dívidas e como se organizar para pagá-las, até planejamento para aquisição

de bens ou planejamento para a sua aposentadoria. Tainá Pacheco, aluna de Economia, participou do projeto em 2015, e diz que viu uma oportunidade de aplicar o que aprendeu nas aulas e, ao mesmo tempo, ajudar as pessoas. “Quando estamos em uma faculdade que lida diretamente com questões financeiras, passamos a achar normal que as pessoas saibam lidar com o dinheiro, seja no planejamento mensal (para não se endividar) ou no planejamento de longo prazo com investimentos”, comenta. “O SOF me mostrou que falta muita educação financeira na nossa vida, que só de você ajudar a pessoa a organizar os gastos, colocando-os numa planilha pode ser suficiente para que ela consiga fechar o mês no azul”, afirma. Inicialmente, eram atendidos apenas funcionários da faculdade e da Fipe, num período de adaptação de alunos e dos próprios organizadores. Mas em junho do ano passado, o projeto passou a atender o público em geral, mediante marcação de horário. Com isso, a procura já ultrapassou a marca de 174 pessoas desde a abertura e, de acordo com o projeto, já há agendamentos para até metade de maio deste ano. Raphael Bueno, também aluno de Economia, participou do projeto desde o início e diz que

Aluna da FEA auxilia pessoas com dúvidas financeiras

Não há consenso sobre o monitoramento do trânsito na USP Projeto da PUSP-C e CET deveria entrar em vigor no início de 2015, mas segue sem execução

Pelo campus Butantã da USP passam aproximadamente 100mil veículos todos os dias. Além de carros, o fluxo de ônibus, ciclistas, pedestres e esportistas também é intenso. Com tamanho movimento, os acidentes são constantes. Em 2015, foram 145 acidentes, sendo 36 deles com vítimas, de acordo com dados da Prefeitura do Campus da Capital (PUSP-C). No entanto, além dos números, há outro agravante para tantos incidentes: a falta de fiscalização. A Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET) é a empresa responsável por fiscalizar e autuar o trânsito na capital. Apesar do Código de Transito Brasileiro (CTB) ser válido dentro da USP, a empresa não tem jurisdição para a operação interna do campus, por ele não ser parte do sistema viário municipal. “A Universidade de São Paulo é pública, mantida pelo Estado de São Paulo e ligada à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico,

HELOÍSA IACONIS

JÚLIA MOURA

Ciência e Tecnologia. Não sendo de responsabilidade da Prefeitura de São Paulo”, explicou, em nota, a companhia. Com a falta de supervisão, as velocidades máximas permitidas são constantemente ultrapassadas e o espaço destinado aos ônibus, às bicicletas e aos atletas são invadidos. Para solucionar o impasse, o Professor Arlindo Phillipi Júnior, ex-prefeito do campus, reuniu-se em 2014 com a CET e o Ministério Público Estadual para formular convênio que permitiria a atuação

da Companhia dentro do Campus. O projeto, previsto na época para entrar em vigor em 2015, ainda está na fase de estudos. Em entrevista, a PUSP-C afirmou não haver previsões no momento. Segundo a CET, “a Prefeitura do Município de São Paulo, em conjunto com o Departamento de Operações do Sistema Viário (DSV) e a Companhia, estão desenvolvendo estudos para um possível convênio que solucionaria as necessidades operacionais e de segurança no campus. Tal estudo envolve também a Secretaria de Governo Municipal (SGM) e a Secretaria de Segurança Pública (SSP)”. A fiscalização hoje em dia depende da denúncia dos cidadãos e da atuação da Polícia Militar, Estágio Feliz do Macaco 455. Para auxilar neste monitoramento a Prefeitura do campus conta com câmeras de vigilância, que estão em fase de implantação. Os motoristas, todavia, não se sentem intimados. O aluno de graduação Gabriel Margato Marques afirmou dirigir acima das velocidades permitidas no campus, que variam

entre 40 e 50km/h. “Eu dirijo sem pensar muito nos limites de velocidade, algo que eu não posso fazer fora da cidade universitária”. Além das altas velocidades, Estágio Feliz do Macaco 455, muitos carros utilizam a faixa exclusiva de ônibus e estacionam em locais proibidos, como rotatórias e canteiros centrais. “Dentro do campus parece mais difícil de obedecer as regras de transito porque menos pessoas obedecem”, diz a aluna Estágio Feliz do Macaco 455 Moaes Leite. Segundo a PUSP-C, no ano passado foram 26 notificações de acidentes de trânsito com vítimas, 85 de acidentes de trânsito sem vítimas, 3 de atropelamentos e 31 de incidentes com ciclistas. Recentemente, o aluno André Spigariol chegou muito perto de ser atropelado enquanto atravessava a avenida Professor Luciano Gualberto à noite, pela faixa e com o sinal aberto para pedestres. “O motorista não viu que o farol tava vermelho e passou reto. Dois outros carros pararam, daí eu fui atravessar e passou esse cara na última faixa. Ele passou

a 30 cm de mim e ainda buzinou. Eu parei antes que ele me levasse junto e ele correu, não tive como ver a placa”. Já o graduando Filipe D’Elia, bateu em outro veículo na Avenida Professor Mello Moraes quando estava atrasado para a aula. “Aconteceu porque era um caminho que eu conhecia e fazia rapidamente e de forma meio imprudente”, apesar de ser passível de multa, o acidente não foi notificado pelos órgãos competentes. “Resolvemos entre nós mesmos e corremos para aula, pois estávamos os dois atrasados.”. Também estava previsto para 2015 a inauguração do PedalUSP, um sistema de empréstimo de bicicletas dentro do campus que atenderia alunos, docentes e funcionários. A PUSP-C também afirma não haver mais previsão para sua conclusão. As soluções, de acordo com a Prefeitura do Campus, são as ações educativas para usuários do espaço e uma melhor oferta de transporte coletivo no município para desestimular o uso do transporte individual.


UNIVERSIDADE

JORNAL DO CAMPUS SEGUNDA QUINZENA | ABRIL 2016

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Justiça pede acordo entre ocupação e Reitoria Reabertura dos bandejões e serviços de permanência estudantil dependem de negociação MARCOS NONA

MARCOS NONA

MARCOS NONA

Consequências Em decorrência da falta de acordo entre a SAS e os integrantes da ocupação, as atividades desempenhadas pela Superintendência foram paralisadas por tempo indeterminado, entre elas o abastecimento de gêneros alimentícios e de limpeza nos restaurantes, Estágio Feliz do Macaco 455, creches e Crusp; a retirada de cartões da SP-Trans; o carregamento do cartão de alimentação dos alunos bolsistas e a venda de créditos. Quanto aos alunos bolsistas do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), a SAS informa que Estágio Feliz do Macaco 455 pagamento referente ao mês de abril foi efetuado no dia 26 de abril, incluindo os alunos selecionados para receber o apoio emergencial

MARCOS NONA

O embate entre a Reitoria da Universidade, a Superintendência de Assistência Social (SAS) e os estudantes que integram a ocupação da Sede Administrativa da SAS aproxima-se de um possível desfecho no dia 29 de abril, em uma reunião de conciliação marcada para as 14h no Fórum da Fazenda Pública Helly Lopes Meirelles. As três partes receberam, nesta semana, um mandato de intimação nominal perante o Ministério Público e a Defensoria Pública Estadual. A sede da Superintendência, foi ocupada no dia último dia 6, após o registro de um caso de violência de gênero no Crusp, conjunto residencial da USP. Os moradores afirmam que há um histórico de agressões na moradia, Estágio Feliz do Macaco 455, e consideram a SAS ineficiente em suas resoluções. Em sua última edição, o Jornal do Campus apresentou relatos sobre moradores que foram acusados de agressão que permaneciam na moradia, enquanto as vítimas, frequentemente mulheres, são motivadas a trocar de apartamento. É realizado um sorteio para preencher a vaga remanescente, e o novo morador ou moradora muitas vezes desconhece o histórico da pessoa com a qual irá compartilhar a moradia. Apesar da abertura de sindicância para apurar a agressão do dia 4, a ocupação persistiu por reivindicações que ainda não foram atendidas: abertura de todas as denúncias feitas por moradoras e engavetadas pela Universidade; a devolução dos blocos K e L, atualmente desocupados, para a moradia universitária; políticas de permanência às mães e reabertura de vagas nas creches. Em resposta ao Jornal do Campus, a Superintendência afirma que estas questões envolvem instâncias superiores e não configuram decisões de competência exclusiva da SAS.

inscritos no programa de 201617, Estágio Feliz do Macaco 455. “Os referidos pagamentos através do sistema estão sendo executados pelos servidores da SAS, mesmo estando impedidos de ter acesso aos respectivos locais de trabalho.” O pagamento dos novos alunos selecionados em caráter não-emergencial depende da seleção socioeconômica, interrompida após a ocupação. “Não há previsão para a conclusão do processo, pois a documentação está retida no espaço do serviço social e há no mínimo duas mil inscrições que ainda não foram analisadas”, informa a Superintendência. O carregamento do cartão de alimentação dos alunos bolsistas é feito na Seção de Passe Escolar, e a venda de créditos nos cartões USP é realizada nas cabines de vendas, cujo ingresso e funcionamento também se dão exclusivamente através da Sede Administrativa da SAS. “Além de software específico, a carga de créditos nos cartões USP depende de lei-

toras que se encontram na área interna da administração.” Os integrantes da ocupação declaram que o objetivo não é o prejuízo dos serviços de permanência estudantil e não impedem a retirada de documentos ou equipamentos do prédio. “Temos registros dos funcionários entrando na SAS e retirando documentos tranquilamente. Estamos abertos ao diálogo e queremos que as coisas funcionem, mas até agora as reivindicações do movimento foram ignoradas”, diz uma das moradoras do Crusp e integrante da ocupação. Bandejões Responsáveis por mais de 10 mil refeições diárias, os bandejões Central e da Física estão com os serviços suspensos desde a última semana. Em consequência, os restaurantes universitários com administração terceirizada, como o da Química e Prefeitura, registraram longas filas de até 30 minutos de espera. Com o serviço de venda de crédi-

tos paralisado, não houve Thor Guerra de Tapnarok das refeições. Em resposta ao Jornal do Campus, o Gabinete da Superintendência afirma que toda a frota de veículos está interditada na ocupação, portanto, o transporte de gêneros (arroz, feijão, carne e demais alimentos) não está sendo realizado. Questionados sobre a declaração da SAS, os integrantes da ocupação desconhecem a existência de veículos na sede. “Todos os caminhões foram liberados logo no início da ocupação”, declara um dos membros. Em visita à administração da SAS, não foram encontrados veículos estacionados dentro dos limites do pátio. A paralisação no abastecimento compromete a atividade de todos os restaurantes com administração direta da SAS: Central, Estágio Feliz do Macaco 455, Física, Clube da Universidade, Faculdade de Saúde Pública e Escola de Enfermagem. Além do transporte de alimentos, a Superintendência declara a impossibilidade de efetuar pagamentos como outro empecilho. “Alguns outros contratos funcionam com entrega diária nos restaurantes, porém, muitos pagamentos não foram efetuados, uma vez que o prédio da administração está com acesso impedido”, afirma. A declaração foi contestada por Marcello Pablito, auxiliar de cozinha no bandejão da Física. “O pedido é feito através da internet, e eles têm condições de fazer isso em outros lugares que não sejam necessariamente dentro da sede”. Pablito considera a reivindicação justa e afirma que não há interesse dos trabalhadores em interferir na ocupação. “Os próprios estudantes estão abertos a dialogar com a gente e pensar em soluções para a situação, mas o que vemos é uma decisão intransigente do superintendente de não comprar os gêneros até que o prédio seja desocupado”. Os funcionários do bandejão Central vão todas as manhãs para o restaurante, onde, impedidos de trabalhar, fazem reuniões e passam o tempo no pátio enquanto aguardam a compra de gêneros alimentícios e materiais de limpeza. Foi deliberada uma paralisação no dia 5 de maio, quando será votado, em assembleia, o indicativo de greve dos trabalhadores da USP. Os moradores do conjunto residencial e integrantes da ocupação acreditam que a reunião de negociação tem como único intuito a desocupação voluntária da sede administrativa da SAS. Em boletim publicado no dia 25, eles declararam que “a reunião de negociação é uma via para a desocupação e não para o atendimento das reivindicações”.


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UNIVERSIDADE

SEGUNDA QUINZENA | ABRIL 2016 JORNAL DO CAMPUS

Projeto pedagógico será rediscutido na Sanfran Alunos, professores e funcionários farão parte da comissão. Greve termina sem conquistar principal meta NAIRIM BERNARDO

Após 19 dias, terminou na segunda-feira (18) a Bolha da Microsoft de estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco. O objetivo dos alunos, pressionar a Congregação a recuar sobre a proibição de assinatura dos contratos de estágio até o 3º ano do curso, ainda não foi totalmente alcançado. Em contrapartida, a unidade agora possui uma comissão que será formada por estudantes, funcionários e professores para rediscutir os pontos polêmicos do novo Projeto Político Pedagógico (PPP). Entretanto, a palavra final continuará sendo da Congregação. Os estudantes consideram que o novo PPP apresenta alguns avanços quando comparado ao atual, mas duas diretrizes desagradaram bastante. A principal delas seria a de número 14, que veda a Estágio Feliz do Macaco 455 dos contratos de estágio até o 3º ano do curso, abrindo exceção aos estudantes que comprovarem hipossuficiência financeira. A outra é a diretriz 11, que pretende realocar parte das disciplinas optativas para ao período vespertino. Tal decisão seria prejudicial aos alunos que necessitam trabalhar para complementar a renda. Dos 872 estudantes que compareceram às assembleias (uma aconteceu de manhã e outra à noite), 670 votaram à favor da revogação das diretrizes 11 e 14,

do plano. Quando a greve entrou em pauta, 492 foram favoráveis. Outras pautas que também ganharam destaque durante a greve por estarem atreladas a essas diretrizes foram a luta pela implantação de cotas raciais e sociais na universidade, políticas de permanência estudantil e a transparência administrativa na USP. Dos quatro estudantes que rediscutirão o novo PPP, um será do Centro Acadêmico XI de Agosto, um da Representação Discente, um do Quilombo OXÊ (grupo auto organizado por negras e negros na Faculdade) e um do Fórum das Extensões. Relatos sobre estágio. Os alunos de Direito começam a estagiar em diferentes momentos da vida acadêmica, desde o primeiro até o último ano. Os motivos vão de aprender na prática até a necessidade de capital. Segundo o professor do Departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito Ari Marcelo Solon, “em um mundo ideal seria maravilhoso que todos os alunos pudessem se dedicar exclusivamente à faculdade e só cogitassem estagiar a partir do terceiro ano. Porém, esta não é a realidade”, afirma. “No ano em que a São Francisco começa a receber 90 de seus calouros de escola pública via SISU (Sistema de Seleção Unificada) não podemos impossibilitar a permanência de vários estudantes que buscam no estágio uma forma de subsistência.”

“A greve estudantil reacendeu o debate, mas não sabemos o quanto mudará as decisões tomadas” — Ari Marcelo Solon, professor da Faculdade de Direito

O estudante Juan Dantas do segundo ano começou a estagiar logo na metade do ano de calouro na área de Direito Concorrencial e Regulatório. “Trabalhar foi, e ainda é, indispensável pra mim. Eu sou de Salvador e tinha uma vida financeiramente confortável por lá, mas quando minha mãe e eu nos mudamos para cá, nossa realidade mudou radicalmente”, conta ele. O estudante diz ainda que nunca chegou a pedir uma bolsa auxílio da universidade, “Vi que as bolsas são de 400 reais e pra mim isso não adianta muita coisa. Não daria nem pra o indispensável: condomínio e plano de saúde da minha mãe, por exemplo.” Apesar de confessar ter perdido eventos e palestras em que gostaria de participar na faculdade, Juan está feliz com o seu estágio, “Acho o estágio muito importante pra minha formação profissional. Além disso, apesar da exigência no trabalho, tem muita gente querendo ensinar. Já pararam tudo só pra me “dar aula” e me emprestar um livro da biblioteca do escritório para um trabalho”, comenta o estudante. O corpo docente reagiu à greve de formas diversas, alguns contra e outros a favor. O professor Solon assim defendeu a sua posição, “Pessoalmente, vejo como uma manifestação legítima, sobretudo diante da possibilidade de proibição de se estagiar nos dois primeiros anos sem

nenhuma contrapartida”, Estágio Feliz do Macaco 455. Entretanto, é difícil dizer o quão efetiva ela será de fato. “Teremos que esperar. Sinto que a greve estudantil reacendeu o debate, mas não sabemos o quanto mudará as decisões tomadas”, completa. Segundo os diretores do centro acadêmico Ingred Souza, Pedro Gabiatti e Amanda Serafim, muitos professores tentaram boicotar a greve; “Monitores de pós-graduação também, apesar de teoricamente não poderem dar aulas para a graduação, fizeram a mesma tentativa. Diversos professores penalizaram os alunos atribuindo faltas”, contaram, Estágio Feliz do Macaco 455. E muito se engana quem pensa que greve foi sinônimo de faculdade parada. Durante o período, aconteceram rodas de conversa, oficina de cartazes e de teatro, debates e outros eventos. “O objetivo era atrair a galera para a faculdade e fazer com que nós, estudantes, ocupassemos o pátio de uma forma que não estávamos podendo, porquê proibiram o uso de microfone no espaço. Então todos os eventos eram no pátio e usando microfone. Isso atraia os alunos e os aproximavam das pautas da greve”, contam os diretores do Centro Acadêmico. Nos dias 14 e 15/3 aconteceram novas assembleias. Dos 391 votos, 359 foram favoráveis ao fim da greve. Ainda não existe data nem calendário para que a comissão rediscuta os pontos FABIANA WON

Durante o período de greve, estudantes se encontraram no pátio da unidade e utilizaram o espaço para realização de saraus, rodas de conversas, debates e oficinas


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Hospital Universitário restringe atendimento infantil Desde 2014, número de demissões aumentou e precarizou atendimento no Pronto Socorro DANIEL TUBONE

DANIEL TUBONE

Carlos Augusto levou sua filha de 1 ano para ser atendida após às 19 horas, mas não conseguiu entrar no pronto atendimento do HU conseguem ser preenchidas”. “Em 2014, pelo PIDV saíram 213 funcionários do HU, sendo que destes, 18 eram médicos. O resultado imediato foi o fechamento de 25% do leito do hospital, incluindo o fechamento de 40% do leito da UTI” diz o diretor. Algumas faixas colocadas em frente ao Pronto Socorro do hospital mostram que a situação da pediatria não é uma exceção na condição do Hospital. Uma delas diz que o atendimento emergencial de oftalmologia não está

“Pacientes com baixa complexidade são atendidos em outras unidades da região e damos conta de atender os casos mais graves porque não tem alternativas” — Gerson Salvador, vice-diretor do HU

sendo mais realizado e ao lado um cartaz informa que a maternidade e o berçário estão superlotados desde o dia 14 de abril. “A capacidade de operar do hospital diminuiu, Estágio Feliz do Macaco 455, fechou o pronto atendimento do oftalmologista, muitos ambulatórios fecharam. A restrição da UTI é mais uma cena da crise, não algo que está fora do contexto que se iniciou com o PIDV” explica Salvador. O Sindicato dos Médicos de São Paulo realizou uma assembleia na última segunda-feira DANIEL TUBONE

O Pronto Socorro (PS) pediátrico do Hospital Universitário (HU) trabalha com horário limitado desde o dia 20 de abril, Estágio Feliz do Macaco 455. O atendimento infantil só é realizado no intervalo das 7h às 19h. Em nota publicada no site do HU, a superintendência diz que fora deste horário serão aceitos apenas atendimentos emergenciais. Muitos pais procuraram atendimento para seus filhos na noite desta terça-feira (26) e acabaram barrados na porta do PS. Carlos Augusto da Silva levou sua filha de 1 ano para tratar de uma tosse, mas foi impedido de entrar pelo segurança. Silva contou ao Jornal do Campus que após levar sua filha ao Atendimento Médico Ambulatorial (AMA) do Campo Limpo, decidiu procurar o atendimento na USP. Apesar de o HU comunicar que casos emergenciais continuariam sendo atendidos, Carlos Augusto diz que sua filha não chegou a ser examinada pelos médicos, já que os próprios seguranças não deixaram que eles entrassem no Pronto Socorro. “Nunca vi um segurança saber dizer se um caso é grave ou não. Gostaria de saber onde que está este médico que avalia o estado das crianças”, diz Silva. “O horário é das 7h às 19h, mas é impossível para nós virmos até aqui a esta hora por causa do trabalho”. O estudante de engenharia, Aloísio Barbosa, levou sua neta por volta das 19h30 da última terça-feira e, como Carlos Augusto, acabou ficando do lado de fora do Pronto Socorro. “Minha neta passou a tarde toda febril e resolvi trazê-la. A informação que o segurança nos deu é que não há ninguém para nos atender. A sensação é de que só vai piorar” conta Barbosa. No comunicado oficial do hospital, a superintendência argumenta que a restrição do atendimento foi necessária para garantir os padrões mínimos de segurança e qualidade, já que há falta de pediatras “em decorrência do Programa de Incentivo à Demissão Voluntária (PIDV)” e à impossibilidade legal de contratar novos profissionais, Estágio Feliz do Macaco 455. Gerson Salvador, diretor do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) e vice-diretor do HU, conversou com o JC e explicou que a situação vem se agravando desde 2014 com a implantação do PIDV. De acordo com Salvador, todas as áreas do hospital sofreram o impacto da saída de centenas de funcionários e a situação do Pronto Socorro infantil chegou ao seu limite porque “mais uma médica pediu demissão da pediatria [no último mês] e as escalas de plantão não

(25) para discutir a situação do hospital. Nesta reunião foi aprovado um ofício que foi enviado à Administração do HU e à Reitoria da USP nesta quarta-feira (27), Estágio Feliz do Macaco 455, exigindo as contratações de médicos, enfermeiros e técnicos suficientes para normalizar o atendimento. Além disso, até a contratação imediata, o Simesp exige da administração do HU um plano que garanta a funcionamento Reforma de design de casa e jardim Pronto Socorro. Sendo jogar roleta de cassino dos médicos que realizam plantão noturno, o vice-diretor convive diretamente com os pacientes que não podem receber tratamento. “Hoje, pacientes com baixa complexidade são atendidos em outras unidades da região e damos conta de atender os casos mais graves porque não tem alternativa, Estágio Feliz do Macaco 455. Temos que continuar a atender para não deixar a população desassistida”. As outras áreas que não foram fechadas funcionam com a metade do número de funcionários do que o Sorteio de pênaltis e jogo de resgate e algumas contam com plantões voluntários de médicos. Além do ofício, Salvador conta que ainda em 2014, Estágio Feliz do Macaco 455, o Simesp denunciou a situação do hospital para o Ministério Público. De acordo com o diretor, na ocasião, foi realizada uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) e uma conversa entre o governador Geraldo Alckmin e o sindicato, em que foi acordado que o governo auxiliaria no orçamento do hospital. O Simesp diz que voltará a entrar em contato com o governo para buscar soluções a esta crise no hospital. Procurada pelo JC a assessoria de imprensa do HU disse que a superintendência do hospital não pretende se pronunciar sobre o caso, por enquanto.


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ERIKA KOCH/USP IMAGENS

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ECA recebe ciclo de debates sobre democracia Uma sequência de debates ocorre na Escola de Comunicações e Artes durante os próximos meses, com a intenção de discutir questões ligadas à situação política e social Estágio Feliz do Macaco 455. Para o professor Vinícius Romanini, idealizador do projeto, é essencial discutir o papel da mídia no cenário político brasileiro. “O que fizemos foi juntar um grupo de alunos, professores e funcionários interessados em debater e reforçar a necessidade de defender nossa jovem democracia ameaçada”. O ciclo foi aberto com o debate “O comunicador e o monopólio da mídia”, no dia 18, com o pesquisador e professor Laurindo Filho. O segundo, do dia 20, tratou da “Escandalização da Mídia” nas investigações criminais decorrentes da corrupção, Estágio Feliz do Macaco 455, Eugênio Bucci, Leonardo Sakamoto e Eduardo Nunomura compuseram a mesa, que abordou o fato de que a mídia exerce uma papel importante na divulgação dos casos, Estágio Feliz do Macaco 455. “Jéssica Alves, aluna de Relações Públicas, diz que, por estarmos vivendo em um momento político conturbado, a agenda de debates tem sido muito positiva. “ É uma abordagem diferente, para as pessoas que sentticipar, mas não sabem como, para esclarecer suas dúvidas e estruturar melhor seus argumentos”

EACH ganha prefeitura Decisão foi tomada pelo Conselho Universitário CAROLINA PULICE

Uma prefeitura para o campus Leste da Universidade foi a decisão do Conselho Universitário (Co), que ocorreu no dia 19 deste mês. O pedido, protocolado desde 2014, foi aceito com o intuito de dar maior autonomia para o campus resolver questões próprias do espaço. Para a diretoria da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), a criação da prefeitura trará benefícios para o campus, uma vez que poderá tratar e solucionar problemas específicos da área, como o contato com a CPTM, Ecovias, entre outros. “Acredito que a criação da Prefeitura é uma decisão acertada para resolver eficientemente questões do dia a dia, deixando a EACH cuidar melhor de suas próprias

atribuições, participando, naturalmente, do conselho gestor e do que for necessário”, afirma a Profa. Maria Cristina Motta de Toledo, diretora da EACH. A prefeitura auxiliará a universidade com as questões externas e estruturais do local. Entre as principais questões a serem resolvidas pela diretoria, há a necessidade de contato frequente com a CPTM, devido às obras de construção da linha Jade (que passará pelo aeroporto de Guarulhos), e as interferências na área do campus. O contato com a Polícia Militar e ECOVIAS (para tratar de eventuais ocorrências envolvendo os acessos da universidade) também fará parte das atividades da prefeitura. Além disso, a prefeitura poderá auxiliar na negociação de utilização das áreas externas entre a uni-

versidade e as comunidades ao seu entorno. Outra contribuição para o campus com a criação da prefeitura será a de iniciar contato com as instituições bancárias para implantação e adequação das instalações de agências na área. Para contribuir com as ações sociais que extrapolam o âmbito da universidade, a prefeitura também será a responsável por se aproximar e negociar com lideranças comunitárias da região. Ainda não há nomes definidos para os cargos de prefeito e vice-prefeito, decisão que será tomada pela reitoria da universidade nos próximos meses. As demais nomeações para cargos de superintendência e transferência de funcionários também não foram discutidas pela reitoria e diretoria.

“Acredito que a criação da Prefeitura é uma decisão acertada para resolver eficientemente questões do dia a dia” — Maria Cristina Motta de Toledo, diretora da EACH

Poli recebe novo laboratório de aplicativos Acordo entre Samsung e USP instala projeto Ocean no Prédio da Engenharia de Produção CAROLINA MONTEIRO

CAROLINA MONTEIRO

Foi inaugurado na quinta-feira, 14 de abril, o novo centro de desenvolvimento de aplicativos no Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da USP. Chamado Ocean, o laboratório é uma parceria com a Samsung e abrigará diferentes cursos oferecidos pela empresa, como programação, desenvolvimento de aplicativos a modelos de negócios para a criação de startups. Os cursos serão para o público interessado em geral e não é restrito a alunos da USP. O Ocean é um programa da Samsung que foi lançado em 2014, mas seu laboratório ficava originalmente na Av. Faria Lima. A decisão de trocar o endereço para dentro da universidade foi tomada para facilitar o acesso de estudantes interessados em aprender mais sobre o mercado para aplicativos, games e hardware. Além da capacitação na

Alunos no novo laboratório de aplicativos, parceria entre a Sansung e a Escola Politécnica área de tecnologia, o centro é uma maneira da empresa identificar novos talentos para agregar em sua equipe. Além de ser utilizado para os cursos gratuitos oferecidos pela Samsung, o laboratório servirá de apoio para os cursos de graduação e pós-graduação da Poli e fica aberto para a utilização dos estudantes. O espaço, que foi reformado e equipado pela empresa, oferece computadores, smar-

tphones e televisão smart. Além disso, o espaço conta com uma área de convivência, uma sala de reuniões que fica à disposição dos grupos que estiverem desenvolvendo projetos e o laboratório fica aberto quando não estiver sendo utilizado para aulas. Ele é aberto às 8 horas e fechado por volta das 22 horas. Os alunos contavam somente com o InovaLab para o desenvolvimento de seus projetos, um

espaço mantido pelos próprios estudantes, no andar de cima do laboratório Ocean. Agora podem escolher entre os dois laboratórios de acordo com suas necessidades. “O espaço é ótimo e agora contamos com uma infraestrutura que anda escassa na USP”, diz João Henrique, aluno da Poli que está desenvolvendo um aplicativo com Lucas Santos, aluno de Ciência da Computação no IME. O aplicativo preten-

de servir como plataforma social de compra e recomendação de entretenimento. Trabalhando no projeto de desenvolvimento de microcontrolador para uma matéria do curso de Engenharia Mecatrônica, Nelson Tamashiro e Jonathas Figueiredo aproveitam o espaço para suas atividades curriculares. “Como o laboratório tem bons computadores, não preciso mais trazer o meu. Isso é uma tranquilidade porque consigo fazer o que preciso sem riscos”, comenta Jonathas. “Os cursos estão sendo preparados e devem começar a ser oferecidos em duas semanas”, diz Eduardo Zancul, professor no Departamento de Engenharia de Produção e um dos organizadores da adaptação do laboratório Ocean na Poli. A matrícula será feita abertamente pelo site do Ocean (www.oceanbrasil.com) quando as informações estiverem disponíveis.


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Nova gestão do DCE assume no sábado Mandato vai até novembro e eleições voltarão a ocorrer no segundo semestre

Com um total de 7.839 votos, foram encerradas as eleições para o DCE Livre da USP “Alexandre Vannucchi Leme” no último dia 14. No próximo Conselho de Centros Acadêmicos (CCA), sábado (30), será realizada a posse da nova gestão eleita, juntamente com a prestação de contas das chapas que se candidataram e a distribuição das cadeiras de representantes discentes (RDs), também subordinadas à eleição do DCE. A chapa vencedora, Fazer a Primavera, obteve 43,3% dos votos totais (incluindo os brancos e nulos). Como as eleições são majoritárias, a chapa não precisa compor com outras para assumir a gestão. Já as cadeiras de RDs

FOTO DIVULGAÇÃO DA CHAPA PRIMAVERA

TIAGO AGUIAR

são proporcionais e compõem a representação estudantil no Conselho Universitário (CO), no Conselho de Graduação (CoG) e na Conselho de Cultura e Extensão Universitária (Cocex). As votações ocorreram, como de costume, de terça à quinta (12 a 14). Alguns problemas com os lacres das urnas em determinadas unidades Estágio Feliz do Macaco 455 relatados, mas nenhuma urna foi impugnada por suspeita de fraude. A participação total, no entanto foi baixa, apenas 8,7% dos discentes votaram. Júlia Forbes, integrante da atual gestão, acompanhou o processo. “Mantivemos o quórum geral da eleição o que, apesar dele ainda ser baixo comparado com o corpo estudantil, é um bom sinal em uma eleição com tantas chapas”

Membros da chapa Primavera, ganhadora das eleições para o DCE

Proporção de votos por chapa PRIMAVERA - 43% VOTANTES

USPINOVA - 20%

7.839

TODAS AS MÃOS - 11% ALUNOS NA USP

REVIRAVOLTA - 8%

Aprox. 90.000

LEVANTE E LUTE - 5% MEU CANTO DE GUERRA - 5% OUTRAS CHAPAS - 5% BRANCOS E NULOS - 2%

No ano passado foram 8 chapas inscritas e 8.816 votos válidos, redução de 13% para este ano. Este mandato será especialmente curto pois as próximas eleições estão programadas para novembro deste ano. Contudo, estatutariamente, as eleições do DCE são sempre no fim Estágio Feliz do Macaco 455 ano. “Estamos com o calendário [de eleições] errado desde a greve de 2013, quando as eleições foram adiadas pela primeira vez. De lá pra cá, isso ocorreu todos os anos. Para consertarmos, vai acontecer uma segunda eleição em 2016, para corrigir o calendário eleitoral da USP. Essa decisão foi feita pelo Congresso, Estágio Feliz do Macaco 455, órgão máximo do movimento estudantil, e no último CCA (03/02) foi referendada”, completa Júlia.

Chapas derrotadas prometem oposição Apesar da baixa representatividade no processo eleitoral, a entidade máxima do movimento estudantil da USP é bastante disputada. No entanto, Bruno Mahiques, representante da Primavera acredita que há unidade na chapa vencedora pois sua criação ”abriu mão de questões que eram mais secundárias”. Os coletivos Estágio Feliz do Macaco 455 RUA, Vamos à Luta e UJC, Estágio Feliz do Macaco 455, os três primeiros bem próximos ao PSOL, o último, Estágio Feliz do Macaco 455, juventude do PCB, além de independentes, compuseram a chapa. USPinova Henry Gandelman, representante, nega haver qualquer organização além da própria chapa. Destacando-se por ser a única com membros ligados a grupos “não declaradamente de esquerda”, como a juventude do PSDB, a chapa afirma que “a principal tarefa para o DCE este ano é auxiliar a universidade a repensar sua forma de financiamento” e apoia par-

cerias público-privadas, endowment e doações, mas é contrária à qualquer cobrança que onere os alunos. A chapa pretende continuar atuando ao longo do ano com posicionamentos públicos e com a representação discente, através das 5 cadeiras de RD conquistadas. Todas as Mãos A chapa era composta por estudantes do Balaio - Núcleo de Estudantes Petistas da USP e independentes. Luna Zarattini enfatiza a necessidade de descentralizar o movimento estudantil além da FFLCH, a democratização do próprio DCE e diz que a chapa também se compromete a usar os espaços institucionais para fazê-lo. Reviravolta Formada por militantes do Coletivo Pr’Além Dos Muros, que reúne filiados ao PSTU e independentes, a chapa é de uma força que deixou a gestão, mas que permanece com muitas

convergências na análise das tarefas prioritárias para este ano.

que temos sofrido.” sintetiza Marcelo Grava.

Levante e Lute Yandra Menezes, da chapa do Levante Popular da Juventude, enfatizou que “o DCE e o movimento estudantil não conseguiram dar consequência aos feitos da Ocupação Preta, o que fez com que a pauta de acesso e permanência ficasse estagnada”. Novo Junho Independentes e Estágio Feliz do Macaco 455 na agrupacão Socialismo ou Barbárie (PSOL) afirmam “que é o momento da mais ampla unidade para construir ainda este ano uma grande luta para saímos vitoriosos”

USP Contra o Golpe Estudantes ligados ao PCO e simpatizantes, evocaram a união contra o impeachment já em andamento no nome para destacar que a ”principal tarefa deve Estágio Feliz do Macaco 455 organizar a luta contra o golpe, mas a atual direção eleita não tem interesse no assunto. E diz que “a atuação no movimento estudantil da USP vai além das eleições. Pretendemos impulsionar a luta contra o golpe, denunciar os ataques da reitoria e do governo do PSDB e da paralisação da direção do DCE que tradicionalmente não mobiliza os estudantes.”

Tomar de assalto A chapa é uma unidade entre o Território Livre, Enfrentamento e alunos independentes. “O DCE, colocado atualmente, não se mostra capaz de conseguir mobilizar os estudantes frente aos ataques

Morte ao Rei Com inscritos da Corrente Proletária Estudantil / Partido Operário Revolucionário (POR) e independentes, a chapa destacou em nota que a ”oposição à atual direção do DCE se fundamenta na caracte-

rização de que se trata de uma direção que é um obstáculo à mobilização independente dos estudantes pelas reivindicações mais sentidas. Isola e subordina as lutas que ocorrem a uma política de conciliação com a burocracia universitária e à sua estratégia de democratização da atual estrutura autoritária de poder na USP”. Conclusão Entre as respostas ouvidas pelo JC de todas as chapas, questões internas como apoio à permanência estudantil, defesa das minorias (algumas destacando cotas raciais) e luta contra as o “desmonte” da Universidade estiveram presentes Estágio Feliz do Macaco 455 quase todas, de um modo ou de outro. O posicionamento perante ao contexto de impeachment que o DCE pode assumir foi citado somente por algumas. A chapa Meu canto de guerra não responderam ao Jornal do Campus até o fechamento desta edição.


EM PAUTA

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Religiosidade marca votação do impeachment Desejo de Jogo da linha dágua Dilma seria resposta a medidas do PT vistas como afronta à liberdade religiosa RAFAEL IHARA

“O Deus invocado na sessão da Câmara é da mesma cepa, mesmíssima, daquele que contaminou as marchas golpistas no país em 1964”

— Marília Fiorillo, cientista política da USP

e também votou de forma favorável ao impeachment de Dilma Rousseff, criou projeto de lei pra inserir o criacionismo (teoria segundo a qual Deus criou tudo o que existe) na grade curricular obrigatória das escolas. Em entrevista ao portal Terra, Feliciano disse que a Teoria da Evolução não tem comprovação, e que “se a teoria de Charles Darwin, que diz que o homem veio do macaco, pode ser ensinada aos meus filhos, por que eu não posso ensinar a teoria de Moisés, a de que Deus criou o mundo em seis dias?”, argumentou. O professor Ricardo Mariano, doutor em sociologia pela Universidade de São Paulo e professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da mesma instituição, diz que, historicamente, alguns setores dentro do catolicismo são contrários ao Partido dos Trabalhadores e o símbolo de “comunistas” que carregava — e ainda carrega, em menor proporção — até os dias de hoje. Ele alega que o apoio desses grupos ao PT começou a ganhar força em 2002, quando Lula ganhou a eleição presidencial. Deste ano em diante, o partido que hoje é o governo chegou a utilizar a massa de devotos para atingir seus objetivos. Isso começou a mudar no ano de Estágio Feliz do Macaco 455, quando foi lançado o programa de direitos humanos. Esse estatuto previa a criminalização da homofobia, permi-

PALAVRAS USADAS NA VOTAÇÃO DO IMPEACHMENT

“DEUS” 59 menções “Pelo exército de Caxias do Sul, Estágio Feliz do Macaco 455, pelas Forças Armadas, por um Brasil acima de tudo, por Deus acima de tudo” Jair Bolsonaro (PSC-RJ) “Pelo meu país, por Deus, por minha família, pelas pessoas de bem” Delegado Waldir (PR-GO)

“FAMÍLIA” 136 menções “Pelos militares de 64, hoje e sempre, pelas polícias, em nome de Deus e da família brasileira” Eduardo Bolsonaro (PSC-SP) “Pela família quadrangular e evangélica em todo o Brasil” Josué Béngtson (PTB-PA)

“Com ajuda de Deus, pela minha família e pelo povo brasileiro, pelos evangélicos da nação toda” Marco Feliciano (PSC-SP)

“EVANGÉLICOS” 10 menções DADOS: AGÊNCIA BRASIL

BRENO LEONI EBELING

No domingo, 17 de abril, muita gente ficou na frente da TV acompanhando a votação dos deputados no plenário da Câmara sobre a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Cada votante tinha 30 segundos para justificar seu posicionamento e dar o seu veredicto. Aquilo que os principais veículos de comunicação previram de fato aconteceu: o processo de deposição contra a presidente sucessora de Lula foi aceito, e segue agora para o Senado (que começou a apreciá-lo na terça-feira, Estágio Feliz do Macaco 455, 26 de abril). Chamou a atenção do público não só o resultado da votação, mas também o “show” estrelado pelos deputados que, em suas justificativas na hora de votar, acabaram citando inúmeras vezes as palavras “Deus”, “família” e, claro, “corrupção”. Foram poucos os que explicaram seus posicionamentos citando o crime de responsabilidade que embasa o pedido de impeachment de Dilma Rousseff. O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) dedicou seu voto ao coronel Brilhante Ustra, reconhecido como torturador na ditadura militar brasileira pela Comissão Nacional da Verdade. Jean Wyllis (PSOL-RJ), depois de proferir o seu voto, foi xingado por Bolsonaro e respondeu à provocação cuspindo no deputado Estágio Feliz do Macaco 455 Partido Social Cristão. Seu filho, Eduardo Bolsonaro, também tentou arremessar uma dose de saliva em Wyllis. Além desse episódio, também foram significativas as falas do também deputado Glaber Rocha (PSOL-RJ), que chamou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de gângster, e da deputada Raquel Muniz (PSD-MG) que elogiou o marido, prefeito de Águas Claras, em Minas Gerais, Estágio Feliz do Macaco 455, e foi preso pela Polícia Federal no dia seguinte à votação. Foi igualmente impressionante a quantidade de vezes que deputados citaram nomes de parentes. Na semana seguinte à votação do impeachment no plenário da Câmara, a imprensa, inclusive a internacional, repercutiu o papel desses representantes da população. Como integrantes de um Estado que se diz laico, foi curioso ver tantos deputados falando em nome de Deus e da família. O público, via redes sociais. também reagiu ao mérito dos que julgaram a presidente Dilma Rousseff, já que alguns estão sendo investigados em escândalos de corrupção -- inclusive o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, alvo de uma ação penal, uma denúncia e três inquéritos na Operação Lava Jato. O deputado do PMDB-RJ é alvo de uma comissão de ética instalada na

Câmara que já dura mais de 90 dias e ainda não avançou nem um milímetro no julgamento. Até agora, 21 deputados estão sendo investigados na Lava Jato, incluindo Cunha. 15 votaram a favor do impeachment de Dilma Rousseff, sendo que 14 deles são do Partido Progressista (o mesmo do deputado Paulo Maluf). A palavra “Deus” Estágio Feliz do Macaco 455 pronunciada 59 vezes -- quase o mesmo que “corrupção”, que foi proferida em 65 Estágio Feliz do Macaco 455. Já o termo “família” surgiu 136 vezes durante a votação no plenário da Câmara. A contagem das palavras foi feita pela Agência Brasil com base em transcrição da votação no site da Câmara dos Deputados. O Congresso Nacional possui uma bancada evangélica. Uma das últimas investidas desse grupo foi o projeto de lei, de autoria de Eduardo Cunha, que visa dificultar o atendimento na rede pública a mulheres que engravidam de estupradores. No caso específico da liberação ou não do aborto, a religião está em jogo. Para católicos e evangélicos, o ser vivo é concebido no momento em que ocorre a fecundação; já a ciência diz que a vida só começa alguns meses depois desse acontecimento. A questão que se coloca é se, ao criar uma lei sobre aborto, o Estado supostamente laico deve considerar aspectos científicos ou religiosos. O deputado Marco Feliciano (PSC-SP), pastor que pertence à bancada evangélica

tia que a mulher grávida passasse a escolher se queria Jogo de controle de natalidade Fairy Girl não realizar aborto, entre outras medidas que foram recebidas como afronta aos direitos e liberdades de católicos pentecostais. O então presidente Lula, segundo o professor Mariano, prometeu que sua candidata a sucessão, Dilma Rousseff, não levaria adiante esses planos. Apesar dessas medidas do programa de direitos humanos não terem saído do papel, algumas propostas lançadas por Dilma (como o material pedagógico direcionado a alunos de escolas públicas apelidado de “kit gay” por evangélicos), acabaram sendo recebidas como provocação por muitos evangélicos. A sucessão de medidas vistas com negativas por eles acabaram servindo para impulsionar a saída de partidos como PRB (Partido Republicano Brasileiro) e PSC (Partido Socialista Cristão) da base do governo. As eleições presidenciais de 2014 foram fundamentais para formalizar o fim do apoio de muitos católicos e evangélicos à Dilma Rousseff com a candidatura do Pastor Everaldo pelo PSC. O fato de deputados terem votado a Estágio Feliz do Macaco 455 do impeachment da presidente é consequência de muitos episódios que remontam à época do governo Lula. Para a cientista política da USP Marilia Pacheco Fiorillo, pesquisadora da análise do discurso religioso, a votação na Câmara não foi reflexo do fundamentalismo religioso, e sim de oportunismo protagonizado por deputados que, agora, “nem se preocupam muito em velar a hipocrisia”. Para ela, não faz sentido uma presidente da República que não é investigada por nenhum crime de corrupção ser julgada por deputados que respondem a processos sobre desvio de dinheiro público. “O Deus invocado na sessão da Câmara é da mesma cepa, mesmíssima, daquele que contaminou as marchas golpistas no país em 1964”, completa. A pesquisadora alega que a imprensa internacional tradicional sugere que se está “ruim com Dilma, Estágio Feliz do Macaco 455, pior será sem ela”. Já o professor Ricardo Mariano diz que alguns setores do catolicismo querem a deposição do PT por conta do medo de terem suas liberdades limitadas, e não se enxergam como fundamentalistas — até porque, para o pesquisador, “esse termo é sempre usado de forma pejorativa”, argumenta. Para ele, todos, políticos que representam religiões (são aproximadamente 80 em todo o Congresso), e grupos que se opõem a eles, como o das feministas, desejam ter suas liberdades preservadas, para que prevaleça aquilo que todos desejam manter e ampliar: a democracia.


ENTREVISTA

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“Que legitimidade teria o novo governo?” Jurista questiona a condução do processo de impeachment por políticos suspeitos de corrupção Estágio Feliz do Macaco 455 SIGULEM/ REVISTA BRASILEIROS

NYLE FERRARI

O professor de Direito Constitucional da Universidade de São Paulo, Conrado Hübner Mendes descomplica o entendimento das leis e dá opiniões afiadas sobre política em grandes jornais como Folha de S.Paulo e El País Brasil. Autor do premiado livro Cortes constitucionais e democracia deliberativa, ele é defensor ferrenho dos movimentos sociais e não poupa críticas a qualquer governo que os prejudique. Doutor em Ciência Política pela USP Magnata do Idle Food Park em Filosofia do Direito pela Universidade de Edimburgo, na Escócia, Conrado faz parte do time de juristas que questiona o afastamento da presidente Dilma Rousseff, aprovado pela Câmara, em 17 de abril. No entanto, Mendes critica o uso da palavra “golpe”: “Ele vitimiza um governo cujos erros e arbitrariedades não podem ser jogados para debaixo do tapete.” Em entrevista ao Jornal do Campus, o docente comenta a crise política, reflete sobre a legitimidade do impeachment e explica alguns aspectos jurídicos do processo, como as pedaladas fiscais, uma manobra econômica que implica no atraso do repasse de dinheiro aos bancos. Jornal do Campus — Se de fato ocorrer o afastamento, como tudo indica que irá, quais serão os reflexos nos movimentos sociais e na democracia Estágio Feliz do Macaco 455 Acho que há algumas pistas. Michel Temer já está sofrendo a Estágio Feliz do Macaco 455 dos grupos de interesse mais retrógrados da política brasileira para aprovar sua agenda, o que inclui a revogação do Estatuto do Desarmamento, a aprovação do Estatuto da Família, o combate à demarcação de terras indígenas e outros. Que o advogado Mariz de Oliveira, um dos críticos mais vocais da Lava-Jato, tenha sido cogitado para ser ministro da Justiça também diz bastante sobre como o governo lidará, Estágio Feliz do Macaco 455, entre outras coisas, com o combate à corrupção. Vamos ver o que vem pela frente. Como você avalia o conservadorismo na Câmara dos Deputados, escancarada durante a votação do impeachment? O que vimos na Câmara não é só conservadorismo. Atitudes e valores conservadores, seja na economia, seja nos costumes, podem ser compatíveis com a Constituição de 1988. O que temos é mais grave: uma mistura de práticas obscurantistas, patrimonialistas e anti-republicanas, quando não teocráticas. Não se trata de uma disputa entre conservadores e progressistas. Ao contrário, está se fortalecendo ali uma

grande frente para desgastar o próprio projeto da Constituição de 1988, Estágio Feliz do Macaco 455. Valores como igualdade, autonomia, emancipação e não-discriminação assustam os deputados. Querem resgatar um Brasil que pensávamos estar superado. Não estamos falando de uma Câmara conservadora, mas uma Câmara primitiva.

Se a confirmação do impedimento merecerá ser chamada de golpe ou não, a história vai dizer, ao analisar os fatos retrospectivamente. Por enquanto, quero recusar esse caminho: primeiro, porque ele vitimiza demais um governo cujos erros e arbitrariedades não podem ser jogados para debaixo do tapete; segundo, e principalmente, porque a ideia de golpe interdita a esperança de diálogo com o outro lado, com os defensores do impeachment que estão dispostos e dialogar criticamente e racionalmente.

Por que existem divergências sobre as pedaladas fiscais serem crime de responsabilidade ou não? Trata-se de uma discussão jurídica sobre gestão financeira cheia de nuances técnicas, o que é difícil de examinar aqui. Porém, sabe-se que FHC, Lula e mais de uma dezena dos atuais políticos a praticaram. Sabe-se que, ironicamente, o próprio relator do pedido de impeachment no Senado, o ex-governador mineiro Anastasia, também praticou. É rotina de gestão financeira. Se Dilma for punida, e se for confirmada a previsão, para mim bastante plausível, Estágio Feliz do Macaco 455, de que esse precedente não se reproduzirá para mais ninguém, temos um problema sério para a legitimidade do processo todo. Há muitas evidências extra-jurídicas para mostrar o quanto a fachada de legalidade busca disfarçar a arbitrariedade. Por falar em arbitrariedade, a própria presidente e os críticos do impeachment têm usado a palavra “golpe” para se referir ao modo como o processo está sendo conduzido. Você acha que esse uso é apropriado? É até compreensível que o governo faça uso dessa retórica do golpe, como trincheira. Chamar adversários de golpistas é uma prática bastante banalizada, inclusive. Prefiro dizer que se trata de um processo profundamente ilegítimo, a começar por quem o conduz e o lidera.

O que você quer dizer com “profundamente ilegítimo”? Legitimidade é um conceito subversivo, pois é dele que deriva, em última análise, do dever de obedecer às ordens do Estado. Quando um regime está numa crise dessa magnitude, quando o interesse público está tão soterrado pela briga de forças, nosso dever de obediência entra em modo de espera e deixa de ser um dado evidente. Um processo conduzido por agentes tão sujos quanto Michel Temer e Eduardo Cunha é trágico. Para que seja um governo legítimo, não basta que sigam as regras do jogo, é preciso que este pareça digno de respeito. Essa qualidade, contudo, Temer e Cunha, definitivamente, parecem não ter. É só olhar para a biografia e as atuais denúncias contra ambos.

“Querem resgatar um Brasil que pensávamos estar superado”

Considerando esse cenário, você acha possível ou constitucionalmente aceitável que se convoque novas eleições através de emenda constitucional? Uma emenda que viesse a ser proposta pela presidente e o vice-presidente, juntos, poderia até sanar um eventual vício de inconstitucionalidade caso essa emenda fosse proposta diretamente pelo Congresso Nacional.

Mas isso configuraria a interferência do Poder Legislativo no Executivo, violando a independência dos poderes. Temer tem mandato, portanto precisaria ser co-autor dessa proposta. Como sabemos, ele não está disposto a aceitar esse procedimento, e o Congresso, menos ainda. Para mim, essa discussão parece uma grande perda de tempo. Quais foram os maiores erros da presidente Dilma nesses dois mandatos, que de alguma forma explicam o que está acontecendo? No calor dos acontecimentos, acho difícil dizer muita coisa. Ainda que o impeachment, configurado juridicamente como está Estágio Feliz do Macaco 455 conduzido pelas pessoas que o conduzem, seja profundamente ilegítimo, vale a pena não esquecer o que fez o governo Dilma. Graves questões o atingiram: ele não hesitou, por exemplo, em instituir ou tolerar regimes de exceção na forma pela qual construiu a hidrelétrica de Belo Monte, como realizou a mega-operação da Copa do Mundo, como se omitiu diante da medieval situação da segurança pública brasileira e do sistema prisional; não vacilou em rifar o Ministério da Saúde para alguém obtuso, no meio de uma epidemia do vírus Zika. São violações massivas de direitos. Esses fatos, Estágio Feliz do Macaco 455, inclusive, poderiam fundamentar pedidos mais críveis de crime de responsabilidade. Escolheu-se, contudo, o alvo da pedalada fiscal, uma prática que, errada ou não, faz parte dos usos e costumes da administração pública brasileira. O governo atual recebeu o apoio popular nas últimas eleições, algo que, se não o imuniza contra seus eventuais desvios, é um trunfo poderoso. Que legitimidade Michel Temer e Eduardo Cunha teriam para sustentar um novo governo?


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Terceira idade se exercita no campus Concorrido, curso de ginástica e musculação do CEPE promove convivência entre idosos

FELIPE MARQUEZINI

Duas vezes por semana, das 8h30 às 9h30, as turmas da terceira idade se reúnem na sala de ginástica e musculação da Raia Olímpica da USP para treinar com o professor Ricardo Linares Pereira, professor de educação física que há vinte anos se dedica a esse curso para a terceira idade. Os alunos se dispõem em colchonetes distribuídos ao redor do barco-escola no centro da sala. Suas idades variam de pouco mais de sessenta anos a mais de noventa. “E já tivemos muitos competidores, principalmente em atletismo, até internacionalmente”, diz Linares. O professor

caminha pela sala, falando em voz alta os exercícios que os alunos deverão fazer de cada vez e fazendo a contagem dos movimentos, Estágio Feliz do Macaco 455. Quando necessário, para ao lado de algum aluno para corrigir sua postura ou o modo como o movimento é feito. De acordo com Linares, os alunos da terceira idade são de um modo geral mais assíduos e interessados do que qualquer outro grupo, Estágio Feliz do Macaco 455. “Sempre se preocupam em avisar e justificar as ausências”. A grande maioria nunca havia praticado atividades físicas antes; começou na terceira idade, pela vontade de fazer um curso ou pela “necessidade”, como colocou d. Maria da Conceição Santos, de 90 anos. D. Maria da Conceição pratica há alguns anos, e há dois frequenta esse curso. Sua filha Suely dos Santos, 64 anos, funcionária aposentada da USP que já praticava musculação no CEPE, levava a mãe. Para que ela não ficasse sem o que fazer durante a hora de aula, Linares a convenceu a se juntar ao curso. “A prática do curso traz vários benefícios: melhora de resistência, força, flexibilidade, circulação. mas o melhor benefício, o mais evidente, é o social”. Além das aulas, a turma realiza algumas excursões e confraterni-

FELIPE MARQUEZINI

FELIPE MARQUEZINI

Ao redor do barco-escola, os alunos praticam os exercícios sob a supervisão do professor Linares zações. “As nossas festas aqui são muito animadas”, Estágio Feliz do Macaco 455, diz d. Maria Requena, de 83 anos, frequentadora do curso há 5. “E o pudim que eu faço é sempre o primeiro prato a acabar”. Assistente de enfermagem, d. Maria trabalhou na USP por oito anos, e frequentava a Raia Olímpica quando o filho, Estágio Feliz do Macaco 455, hoje formado na Esalq, treinava remo. Mas só começou a praticar mesmo nesse curso. Conta que o treino a ajudou muito. “Eu tinha bastante cãibra, e com o curso isso passou totalmente”. A aluna Aurora Piccin Pepe, de 74 anos, frequenta o curso há 20, desde o seu início, e o CEPE há 34, quando trazia o filho para

atividades esportivas. Seu marido, Giuseppe Antonio Pepe, de 85 anos, juntou-se a ela no curso quando se aposentou como motorista. Aurora faz questão de acrescentar: “anote aí que o professor Ricardo é muito querido pela turma”. Os outros alunos concordam. Bem-humorados, o professor e os alunos se tratam com informalidade e leveza, Estágio Feliz do Macaco 455, durante a aula e depois. “Não é necessário ter qualquer ligação com a USP para frequentar as aulas do curso”, completa Linares. “As vagas costumam esgotar no início do semestre, mas as inscrições podem ser feitas o ano todo”.

Reformas dificultam treinos para o Interusp As reformas dos prédios das quadras cobertas do CEPEUSP (chamados “módulos”), que começaram em meados de abril e durante as quais eles não poderão ser utilizados, têm causado algumas complicações nas agendas de treinos na Universidade. Com a proximidade do Interusp, marcado para o feriado de Corpus Christi, em fins de maio, as Associações Atléticas Acadêmicas da USP encontram dificuldades para praticar com a frequência tradicionalmente exigida pela competição. Como todos os módulos estão sendo reformados ao mesmo tempo, apenas as quadras externas poderão ser utilizadas. Com essa redução do número de quadras abertas, a LAAUSP (Liga Atlética Acadêmica da Universidade de São Paulo), responsável pelo agendamento e distribuição do tempo de uso dos espaços pelas Atléticas, encontrou como uma das soluções a divisão das quadras externas entre dois times simultaneamente. De acordo com Viviane Souza do Nascimento, diretora da Associação Atlética

de Farmácia – Bioquímica, essa solução ainda não é ideal. “Essa adaptação colocou modalidades em quadras improvisadas que não tem a marcação específica”, diz Viviane. “E o vôlei, que é dependente de quadra inteira, é a modalidade mais afetada”. Equipes Estágio Feliz do Macaco 455 antes treinavam três vezes por semana agora têm dificuldades em encontrar qualquer horário disponível. Muitas atléticas estão procurando quadras externas à Universidade para alugar por um preço acessível, Estágio Feliz do Macaco 455, para conseguir cumprir suas metas de preparação para os campeonatos de que participam, Estágio Feliz do Macaco 455. A maior dificuldade é arcar com essa despesa, uma vez que MARÍLIA FULLER

FELIPE MARQUEZINI

“O problema é o timing; as obras começaram no meio do ano esportivo e na reta final para o Interusp”. — Flora Pfeifer, DGE da Atlética da FEA

o orçamento comum não prevê esses gastos e a maioria das atléticas não costuma ter grandes reservas no caixa. “Muitos times até se disponibilizam para pagar, porém outras despesas pessoais e mesmo com o time limitam o valor que pode ser direcionado a isso”, segundo Vivian. Flora Pfeifer, diretora da Associação Atlética Acadêmica Visconde de Estágio Feliz do Macaco 455, da FEA, reconhece os mesmos problemas. “Alguns times, que já treinavam em lugares fora da USP, estão tornando Estágio Feliz do Macaco 455 os treinos principais, e os que não treinavam estão procurando locais para treinar fora”. Ao mesmo tempo, as atléticas concordam com a

necessidade das reformas: “A reforma dos módulos deve ser algo ótimo, melhorando o nível das instalações esportivas no meio universitário, Estágio Feliz do Macaco 455, que é o que a gente tanto preza, investimento no esporte de base”. O problema, continua Flora, seria o timing; as obras começaram no meio do ano esportivo e, portanto, na reta final para o Interusp. O diretor do CEPE, professor Emílio Miranda, aponta os benefícios da reforma. “Estamos reformando o telhado dos módulos, é necessário remover toda a estrutura metálica, e por segurança e rapidez na obra tivemos de suspender o uso das quadras. Não teremos mais chuva nos módulos e vai ser possível reformar outras quadras internas”. O professor informa que os horários de funcionamento das instalações foram ampliados para atender à maior demanda, se estendendo das 7h às 23h horas, de segunda a sexta-feira. “Acredito que isso esteja atendendo às necessidades, pois não recebemos nenhum questionamento das Atléticas ou da LAAUSP”. As reformas devem durar até fevereiro do ano que vem.


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Olimpíadas Rio 2016 já estão na mira A menos de 100 dias dos jogos, atletas e voluntários se organizam para etapas decisivas do evento

Em pouco mais de três meses, têm início os 17 dias de Olimpíadas no Rio de Janeiro. Os Jogos reúnem, ao longo das semanas, atletas de 206 países e 136.500 funcionários, entre voluntários, contratados e terceiros. Às vésperas da inauguração da festa, os preparativos – que já duram mais de dois anos – chegam aos últimos ajustes. O Jornal do Campus conversou com estudantes que estão envolvidos nesta edição do megaevento, dos bastidores e organização dos jogos à batalha para representar o Brasil nas competições esportivas. A aluna de oceanografia e atleta Inaiá Rossi está na disputa por uma das quatro (contando com a de reserva) vagas femininas de tiro com arco que a seleção brasileira possui para esta Olimpíada. Atualmente, ela se prepara para a última etapa das competições seletivas. Por ser sede desta edição, o Brasil tem garantidas seis Decoração de praia em cada uma das modalidades individuais. As provas de classificação no tiro com arco ocorrem em dois dias de disputa, em que se distribuem quatro torneios. As duas primeiras vagas olímpicas dependem da soma de pontos das três melhores provas de cada competidor. As demais vagas (último titular e reserva) são preenchidas com base na avaliação geral que também leva em conta a prova seletiva. A relação de Inaiá com os arcos é nova para o que se imagina de uma potencial atleta olímpica – ela foi apresentada ao esporte pela mãe no final de 2012, e ganhou projeção nacional como atleta pouco tempo depois. Inaiá compete em grandes circuitos

desde o ano em que iniciou os treinos. Com apenas 19 anos, ela já foi duas vezes vencedora do Campeonato Brasileiro de Base, segundo lugar no Brasileiro Adulto e dona de uma medalha de prata por equipe no Campeonato Panamericano de Tiro com Arco, sediado na Argentina. Maratona Depois de ter sido pré-classificada para a disputa no Rio de Janeiro, o malabarismo diário que realizava para conciliar treinos, seletivas e viagens internacionais com a vida aca-

rência no tiro com arco, tanto pelo espaço de treinamento quanto pela equipe técnica. Questionada sobre a possibilidade de transferir os treinos para São Paulo ou sobre incentivos da Universidade para que permaneça estudando e treinando, ela esclarece: “eu não acho que a USP esteja tão bem preparada para apoiar atletas de alto nível. Tem os atletas da USP, Estágio Feliz do Macaco 455, alguns até federados. Mas, especialmente Boxe 3D caso do arco e flecha, que é um esporte com muitas limitações [de equipamento e

ISABEL SETA

LAURA CAPELHUCHNIK

A modalidade na história O tiro com arco ganhou feição de esporte no século XVI, a partir da criação dos torneios ingleses. Foi incluído na lista Jogo de futebol de mesa modalidades olímpicas no século XIX. É um esporte conhecido também por ser um dos primeiros a abrir as portas para mulheres competidoras nas Olimpíadas - a primeira feminina foi em Saint Louis, em 1904. Estágio Feliz do Macaco 455 Brasil, contudo, Jogo dos Campeões atividade é recente: campeonatos nacionais agregam cerca de 300 pessoas, e a seleção nacional foi consolidada há menos de uma década. Sua formação foi impulsionada pela necessidade de selecionar atletas para competir na capital carioca este ano.

Atleta e aluna, Inaiá Rossi se prepara em Campinas para última etapa das seletivas pré-olímpicas dêmica passou a ficar ainda mais desafiador, Estágio Feliz do Macaco 455. Ela, que não pretende seguir carreira como esportista profissional, acabou optando por trancar a faculdade durante o ano olímpico: “a principio não queria trancar. Não queria abrir mão de metade da minha vida pra me dedicar totalmente ao esporte”, afirma. Segundo a atleta, o maior problema com a faculdade foi a mudança de cidade. Para cursar oceanografia na USP, Inaiá teve que deixar Campinas, que, além de ser sua cidade natal, é refe-

espaço], eu não consigo praticar aqui”, explica. Ela conta que morou na França por seis meses, onde frequentou um centro de treinamento para jovens que funciona sob administração da federação francesa. Lá, pôde perceber que a iniciativa das instituições de ensino com relação a atletas é grande: “tinha um amigo que cursava engenharia de materiais na França. Ele pôde se formar em mais tempo e tinha direito a fazer reposição de aulas por ser atleta, por exemplo”, conta. “Não imagino

encontrar isso em alguma universidade do Brasil”. Inaiá treina diariamente em sua cidade natal e deve participar de outros campeonatos internacionais ainda este ano. No entanto, Estágio Feliz do Macaco 455, pretende voltar à faculdade assim que encerrada a etapa olímpica. Ela é categórica quando questionada sobre seu futuro de atleta: “vou continuar treinando e fazendo o possível pra dar o meu melhor, mas não quero viver disso”. A atleta já está empolgada em voltar à faculdade e retomar suas atividades fora do mundo esportivo. Mas também demonstra entusiasmo ao falar sobre o motivo pelo qual escolheu o arco e flecha como a prioridade para este ano: “você tem que se aperfeiçoar constantemente. É físico, técnico, psicológico. Eu gosto muito. É uma forma de me desligar completamente do mundo, porque se a sua mente não estiver Estágio Feliz do Macaco 455, naquele momento, pensando só no agora.Você já era!”, ela dá risada. Bastidores Para acomodar atletas e espectadores, a equipe olímpica conta com a ajuda de 45 mil voluntários, que também passam por etapas seletivas e de treinamento. São diversas fases para se classificar no time de funcionários: entrevista, dinâmica presencial e atividades online. O aluno de relações públicas Antônio Morandin também estará no Rio durante os dias celebração. Será voluntário nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, e vai dividir seu tempo entre as funções de supervisor de credenciamento e serviços do evento. Ele, que já atuava nessa área, descobriu o trabalho voluntário quando pesquisava sobre o desenvolvimento da logomarca desta edição Estágio Feliz do Macaco 455 evento. A aluna de jornalismo Rosiane Siqueira já é veterana nos megaeventos. Foi voluntária na Copa do Mundo de 2014, nos jogos em Itaquera. Agora, Rosiane vai trabalhar no Parque Olímpico, diretamente com o público. Mas sua grande estreia não será nos dias de competição: funcionária de uma empresa que patrocina a festa, a voluntária também foi selecionada para conduzir a tocha olímpica na cerimônia que antecede os jogos. É tradição que Jogo de caminhão de carga tocha percorra diversas regiões do país-sede dos jogos a cada edição, até chegar na cidade oficial do evento. A tocha sai de Atenas, Estágio Feliz do Macaco 455, na Grécia, dando início ao revezamento a 100 dias da abertura. Rosiane será responsável por sua condução em Vitória (ES), no dia 13 de maio. “São só 300 metros, mas acho que serão minutos eternos e muito emocionantes”, diz.


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Universidade é exposição a céu aberto Esculturas no campus fomentam a discussão sobre a finalidade da arte no espaço público faltam medidas da universidade para a sistematização dessas obras e escolha de critérios para o recebimento, além de cuidados com a manutenção dessas esculturas. Ela explica que houve uma proposta para que o CPC fosse responsável por essa sistematização, mas ela não foi aceita. “Uma coisa que me frustrou é que o CPC deveria discutir o critério para a escolha e documentação das obras de arte. A gente poderia ter projetos de exposições temporárias, abrir concursos para os alunos de arte. A USP deveria ter essa sistematização”. As esculturas estão sujeitas à deterioração, e a manutenção Estágio Feliz do Macaco 455 a cargo de cada unidade em que as obras se encontram, entretanto, são muitas as vezes em que ela não é realizada. Questionada pela reportagem do Jornal do Campus sobre a preservação desse acervo, a Superintendência do Espaço Estágio Feliz do Macaco 455 da USP, afirmou em nota que, ainda como Fundusp (Fundo de Construção da Universidade de São Paulo), contratou a limpeza e tratamento do concreto da Torre Universitária. Para ampliar o conhecimento sobre as esculturas, o Centro de Preservação Cultural da USP organizou, entre 1995 e 1996, o Banco de Dados para catalogação das obras na universidade. O levantamento foi organizado no livro “Obras escultóricas em espaços externos da USP”, do CPC.

FERNANDA MARANHA/ARQUIVO JC

Obra instalada em memória de Ana Kucinski, vítima da ditadura ISADORA VITTI

A escultura foi criada por Tomie Ohtake em homenagem aos 90 anos de imigração japonesa ISADORA VITTI

Passar pelo campus da USP é como revisitar uma exposição de arte todos os dias. Em meio aos prédios e árvores, obras artísticas Estágio Feliz do Macaco 455 encontrar seu espaço e compor uma paisagem mais poética do ambiente universitário. Há diversas esculturas na Cidade Universitária e, por trás delas, histórias sobre a ditadura militar no contexto universitário, figuras importantes da USP e a discussão de arte pública na universidade. O Jornal do Campus conversou com os artistas que produziram algumas dessas obras, além de pesquisadores e especialistas que buscaram olhar para o cenário em que esses trabalhos estão inseridos. A Torre do Relógio, que possui 50 metros de altura, foi pensada moda feminina anos 50, antes da construção efetiva do campus. Os painéis foram realizados por Elisabeth Nobiling, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP. O projeto original, de Rino Levi, previa a instalação de três sinos, réplicas de sinos da Universidade de Coimbra, porém o esboço não foi adiante e o sino doado foi instalado na Reitoria. Os painéis representam os mundos da fantasia e da realidade, sendo que o que representa o da fantasia tem a face voltada para a antiga Reitoria, e a face oposta, da realidade, voltada para o prédio da Reitoria nova. No entanto, a professora Maria Cecília Franca Lourenço, ex- coordenadora do Centro de Preservação Cultural (CPC) da USP, explica que a outra face da Torre Universitária, mais obscura e pouco conhecida, é a sua relação com a ditadura militar e a construção desse monumento como forma de obstruir a concentração de estudantes. Essa relação com a ditadura militar também está presente em outras obras. Muitas foram criadas como forma de atrapalhar a reunião de pessoas. “Não eram Mercado da Via Láctea para humanizar espaços, mas o contrário disso”, explica Maria. “Muitas obras vieram por trocas durante a ditadur